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Como o aumento de impostos impacta você e o mercado de trabalho?

Na última semana de julho, o governo anunciou que vai aumentar as taxas de PIS/Cofins que incidem sobre os combustíveis. O motivo do reajuste é a arrecadação de recursos para cumprir a meta fiscal de 2017, estabelecida em um déficit (despesas maiores que receitas) de R$ 139 bilhões.

Os impactos no bolso da população são claros, mas você sabe se este aumento de impostos pode refletir no mercado de trabalho, na busca por recolocação ou no seu emprego? Convidamos o Dr. Cristiano Yazbek, Diretor de negócios do IBPT – Instituto Brasileiro de Pesquisas Tributárias, para te explicar o reflexos da mudança. Confira a entrevista:

Com o ajuste no PIS/Cofins, as empresas podem sofrer grandes aumentos de despesas?
Sim. Seguramente, as empresas sofrerão aumento de despesas. Como o reajuste de PIS/Cofins no combustível foi feito em custo de atividade meio, toda a cadeia produtiva será impactada: o valor do frete, das passagens rodoviárias, passagens aéreas e ferroviária (óleo diesel). É preciso entender que mais de 60% do transporte brasileiro é realizado por meio modal rodoviário, assim, todo e qualquer produto consumido, potencialmente sofrerá reajuste.

Gastando mais com os tributos, quais podem ser as alternativas para as empresas driblarem a queda nos lucros?
A receita básica de qualquer orçamento é ajustar as despesas ao nível das receitas realizadas. Caindo a receita líquida, necessariamente, custos e despesas devem ser cortados.
Como a mão de obra deve ser paga todos os meses, em busca de economia, as empresas podem optar por investir em tecnologia, pois um equipamento pode ser adquirido por meio de um financiamento de longo prazo.

Com o risco delas optarem por cortar posições no quadro de funcionários, é possível que a situação de desemprego no país se agrave?
O risco de se acelerar a perda de postos de trabalho é eminente.

Quais setores serão mais impactados com o aumento?
A princípio, os setores com maior dependência de transporte rodoviário e/ou ferroviário. Por exemplo: setor agropecuário, desde o produto de hortaliças, até os grandes produtores pecuaristas, de grãos como: soja, milho, feijão, arroz e etc. E em um segundo momento, todo produto que utiliza insumo biológico, vegetal, mineral.

Quais podem ser os impactos para os profissionais brasileiros?
Os impactos eminentes serão:
1. Retorno da inflação, pois o tributo é inflacionário, e possível elevação da taxa básica de juros;
2. Perda do poder aquisitivo do cidadão comum, por conta do aumento do custo de combustível e deterioração da confiança do consumidor;
3. Perda de postos de trabalho. Lembrando que o governo também revogou a desoneração de folha de pagamento para empresas que possuíam o benefício.

O aumento dos impostos é a única alternativa do governo para equilibrar as contas públicas?
Não.
1. O governo deve ajustar o seus gastos ao nível das suas receitas, como qualquer família assim o faz em momentos de crise. O governo quase dobrou o número de ministérios nos últimos anos.
2. O momento é de se incentivar a economia, com liberação de recursos para investimento no início da cadeia produtiva, como safra, compra de equipamentos, ampliação da capacidade de estocagem e de processamento da indústria.
3. Liberação de recursos para construção de imóveis;
4. Restaurar o nível de empregabilidade e a confiança do consumidor.

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