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O que as cotas na USP têm a ver com mercado de trabalho?

Depois de MUITA luta dos movimentos estudantil, negro e indígena, a USP vai ter cotas, e isso significa muito.

No início deste mês, o Conselho Universitário da USP aprovou a adoção de cotas sociais e raciais em seu sistema de ingresso aos cursos de graduação. A partir do vestibular de 2018, que será aplicado ainda neste ano, a universidade reservará parte das vagas para alunos da rede pública de ensino. A meta é que essa reserva chegue a 50% das vagas até 2021, e desse total, 37,2% seja destinado para alunos autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

E por que as cotas raciais merecem repercussão e espaço no Nalabuta?

Essa conquista merece visibilidade porque trata-se de mais um passo dado para que a educação de qualidade e gratuita seja acessível e tenha a presença de estudantes que sofrem com a herança escravocrata. Faz quase 130 anos que aconteceu a abolição da escravatura no Brasil, mas até hoje não houve a inserção dos negros na sociedade. Isso significa que os negros sofrem com a exclusão no sistema educacional e no mercado de trabalho. E este cenário precisa mudar.

Apesar dos negros representarem cerca de 53% da população brasileira, a desigualdade no mercado de trabalho persiste. Além de todo o posicionamento discriminatório da sociedade que exclui a comunidade, a falta de acesso à educação dificulta sua entrada no mercado. Os negros são maioria nas taxas de desemprego e em cargos de baixa remuneração. Em 2015, recebiam 59% do rendimento dos brancos, muitos resistindo a falta de apoio previdenciário e ao desrespeito aos direitos trabalhistas.

O fato da USP, principal universidade brasileira, aderir ao sistema de cotas significa a quebra de um grande tabu. A instituição resistia há tempos a adesão e é compreendida por muitos como elitista, pois a presença de brancos e de alunos com maior poder aquisitivo é predominante. É uma universidade que utiliza recursos públicos mas que não é realidade para toda a população, sem espaço ocupado pela comunidade negra e de condição social desfavorecida. Essa mudança traz a premissa de que se o ingresso dessas comunidades não acontece de forma natural, a existência de políticas que combatam a exclusão é necessária e devem ser aderidas cada vez mais em outros lugares.

Como reflexo do incentivo à inclusão nas instituições públicas de ensino, há projeções de melhoras no âmbito profissional a cerca da ocupação das minorias. Além da USP e de outras universidades estaduais que tomaram a iniciativa, desde 2012, metade das vagas em universidades públicas federais são disponibilizadas para os cotistas.

Este avanço demonstra que, aos pouquinhos, os negros e indígenas vão deixando de ser exceção em posições que devem ser de todo mundo e a sociedade fica menos distante da tão sonhada igualdade. 

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