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Reforçar estereótipo de gênero causa demissão? Pro Google, sim

Estereótipos de gêneros: são rótulos e papéis atribuídos culturalmente aos gêneros masculino e feminino. Ou seja, imposições de características e comportamentos que as pessoas devem ter e seguir para se adequarem à sociedade.

E foi por reforçar esses estereótipos que um engenheiro do Google foi demitido. Em um memorando interno, o ex-funcionário criticou as políticas de diversidade de gênero da empresa e tentou justificar a desvantagem feminina em cargos de liderança e técnicos. Segundo ele, “as opções e as capacidades de homens e mulheres divergem, em grande parte devido a causas biológicas, e estas diferenças podem explicar por quê não existe uma representação igual de mulheres de liderança”. Concluindo, no mesmo documento, que as aptidões naturais levam os homens a ser programadores de informática, enquanto as mulheres são mais inclinadas “aos sentimentos e à estética que às ideias”, o que as leva a escolher carreiras nas áreas “social e artística”.

Segundo a percepção da companhia e a justificativa da demissão, o memorando viola o código de conduta interno promove estereótipos de gênero prejudiciais ao ambiente de trabalho.

E, de fato, promove. Já deixando este caso em particular um pouco de lado, no geral, pronunciamentos que endossam as limitações femininas legitimam a desigualdade de gênero. Isto é, afirmam que as mulheres não são tão líderes quantos os homens por incapacidades naturais, e não por motivos discriminatórios.

E você, concorda com a colocação? As pessoas realmente possuem menos habilidades devido as “causas biológicas”? Ou será por que foram socializadas para agirem de determinadas maneiras e incentivadas a serem determinados profissionais?

Muito além de um simples ponto de vista, a socialização das crianças influencia diretamente e limita suas escolhas profissionais no futuro. Por exemplo, uma menina que é induzida a brincar com bonecas e com objetos domésticos, inconscientemente, cria mais aptidões – os chamados “instintos” – para servir à família, para trabalhar em espaços domésticos e/ou que exijam menos habilidades lógicas do que um menino. E isso, de certa forma e generalizando, condiciona as mulheres a estarem em desvantagem no mercado de trabalho.

O caminho para superar a desigualdade dos gêneros é muito longo e complexo, já que inclui uma grande mudança cultural. Mas, no corporativismo, a mudança já pode começar a acontecer. É papel das empresas e de todos promover a inclusão, a diversidade, o respeito e igualdade. Ou seja, não reforce os estereótipos de gêneros você também.

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